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Eolos de Lagarto

Cavaleiro

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Jan 30 2018, 10:06 PM

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Três nomes emergiam do solo.

Gravados em rochas lúgubres e mal ornamentadas.

Cleómaco, Eulália e Helena.

Cleómaco, Eulália e Helena.

Reverberavam em seu íntimo como se desejasse que esse movimento se tornasse eterno.

Cleómaco, Eulália e Helena.

Mas, ao mesmo tempo...

Como na morte as pessoas se resumem à carne decomposta, ossos e pedras? A questão martelava em sua mente como um ato de rebeldia contra seus anos de treinamento. Era um cavaleiro, mas, antes da armadura, o punhal. Era também um assassino. E era pelo punhal e não pela a armadura que era reconhecido entre seus párias e todos os cidadãos de Rodório.

Exceto por aqueles três sob as pedras.

Em verdade, havia uma imensidão de pedras e nomes que emergiam por toda a parte naquela planície verdejante a que o Santuário teria reservado a Rodório para que depositasse seus mortos. Havia outro cemitério, mais adentro do Santo Território, a que se destinavam os túmulos dos cavaleiros. Este não, era comum, para pessoas sem importância. De fato, de todas aquelas rochas sobre ossos, neste e naquele cemitério somados, somente aquelas três à sua frente lhe eram verdadeiramente importantes.

Cleómaco, Eulália e.

— Helena...

Bruxuleante, a chama queimava a ponta de seu cigarro protegida pela concha de mãos. Esforço curto. Uma puxada para mantê-lo aceso. Logo o jogo de fumaça criaria um ritmo agradável para a respiração. O alívio que traz a dor é ainda alívio. Uma tragada. Duas. Uma baforada contra a morte, enquanto a fumaça subia acompanhada de seus olhos. Nenhuma romantização soaria suficientemente madura. Após a dispersão da nuvem não mais razões para a divagação. Miséria. Mas manteve-se altivo por mais alguns segundos assim mesmo, mirando o céu como se evitasse o chão.

Porque no chão habita a verdade.

Verdade é dor.

— Veja. Eu consegui, mas sinto decepcioná-la. É verdade, me sagrei cavaleiro, destruí a Colina, mas esse foi o preço: me tornar um dos cães do Grande Mestre, assim como seu velho queria. Por toda parte eles me chamam de Sicário. Palavra bonita pra assassino. Espero que me perdoe.

À essa altura o cigarro já ia pelo fim e apagou-o ali mesmo, esfregando-o na braçadeira esquerda da armadura, este artefato multifuncional. Jogou para fora dos pulmões o último resquício de fumaça e abaixou-se, prostrando-se de cócoras, pondo primeiro seu elmo no chão e, em seguida, a mão sobre a lápide de sua amada morta, como se na pele, derme após epiderme, a pedra fria rememorasse a temperatura da carne ida.

— Se não choro sua morte é porque não tenho mais esse direito. Peço que me entenda. Se pelo menos todos aqueles que caírem por minhas mãos merecerem a morte, então haverá a chance de que, mesmo com essas mãos sujas, eu ainda possa estar contigo. Me esforçarei.

Espere.


Terminada a despedida, apanhou o elmo, levantou-se e partiu.


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